Papo cabeça. Final de ano é um período interessante para fazermos algumas reflexões sobre a vida. Andei pensando sobre o rumo que as coisas tomam na vida das pessoas, a partir de decisões que tomam ao longo do tempo. Certas ou erradas, cada um tem o direito de escolher aquilo que acha certo para sua vida.
Sendo assim, quem mata é porque quis matar. Quem rouba, independente do motivo, o fez porque fez essa escolha. Da mesma forma, é feliz quem escolhe ser feliz.
Eu presencio até mesmo no convívio familiar ou com amigos, pessoas que parecem que preferem viver em um ambiente de brigas, discussões, confusões, problemas, problemas, problemas… Na verdade, problemas todos têm, só que existem pessoas que têm problemas e de alguma forma não se tornam reféns deles; por outro lado existem pessoas que fazem disso sua razão de vida, não resolvendo os problemas, mas sim, procurando outros para sua coleção. Não é simplesmente uma questão de se anular, ou de se sabotar. É questão de fraqueza mesmo.
Eu sempre fui de fazer muitos planos. Quero isso, vou fazer aquilo. Sempre fui esquentadinho: “não levo desaforo pra casa”. Sempre tive pencas de problemas para trabalhar ao longo da minha vida toda, mas isso não fez de mim uma pessoa que cava a sua própria sepultura. Não vivo em função dos meus problemas: ou os resolvo ou simplesmente os esqueço guardadinhos numa caixinha de chumbo. Eu nunca soube exatamente o que queria para o futuro, mas sempre soube o caminho que deveria seguir para chegar perto do que achava BOM PRA MIM. Fiz minhas escolhas. Certas ou erradas, as fiz e não me arrependo totalmente de nada. Escolhi viver uma vidinha regrada, daquelas que pode ser considerada entediante. Durmo menos do que gostaria – acordo de segunda a sexta-feira cedo; é possível que eu pegue ônibus às vezes cheio para ir ao trabalho; fico isolado do mundo pelo menos 1 terço do dia no escritório, e tudo isso para ganhar um salário no final do mês, e mais um bocado de benefícios. Mas estou pensando que não é apenas uma questão de dinheiro, tem mais em jogo, tem meu compromisso comigo de saber que estou cumprindo algo que me predispus a fazer. Não sei se foi exatamente uma escolha que fiz, mas as coisas se encaminharam desse jeito, e o que fiz foi dar continuidade. No final das contas, escolhi sim essa vida porque poderia ter tentado seguir outro rumo, mas não o fiz, embora tivesse N vezes pensado em alternativas mais prazerosas. Contudo, será que essas outras alternativas iram me satisfazer 100%? Conhecendo-me como me conheço, posso dizer certamente que não. É claro que dentro dessa escolha de vida que fiz veio um pacote de contratempos, como: falta de tempo pra mim, alguns momentos de stress, psicológico às vezes abalado, sapos engolidos, mas sabe… Isso tudo só me fortalece. Para o bem, ou para o mal, é fato que certas situações na vida só te fazem crescer. Tanto é que hoje, 11 de dezembro de 2008, eu já defini que é nessa que eu vou. Definitivamente.
Meu senso crítico é claro que nessa hora me dá estalos. Como suportar eventuais pressões? Como vencer os meus medos? É possível ser feliz fazendo algo que não ama mais do que tudo? É sim, buscando dentro daquilo algo que te motive, que te leve a diante, que te faça crescer de alguma forma. Decidi que para 2009 exigirei menos de mim, menos planos, e mais ações. Não quero ser um Outlook ou um organizer onde programamos e agendamos uma série de coisas, para que um pop up chato venha me lembrar que devo fazer. Farei aquilo que meu coração mandar. Se quiser viajar, farei. Se quiser me dedicar a ponto de ser um profissional tão bom quanto nem eu mesmo pensei que pudesse ser, farei. O que não quero é deixar 2009 passar em branco, quero muitos rabiscos, cores, esboços, tudo o que eu achar que vale a pena será feito no próximo ano. Se o papo é escolha, essa é a minha.